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Após pesquisa suspensa pela Justiça, Instituto Veritá republica nova sondagem — e Fábio Trad sobe para 2º lugar no MS

O Instituto Veritá voltou a divulgar uma pesquisa de intenção de voto para o governo de Mato Grosso do Sul depois de ter uma sondagem anterior suspensa por determinação judicial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS). Na nova pesquisa, registrada sob os números BR-04048/2026 e MS-03077/2026 e realizada entre os dias 13 e 19 de março de 2026 com 1.220 eleitores, Eduardo Riedel (PP) aparece na liderança com 49,5% dos votos válidos na intenção estimulada, seguido agora por Fábio Trad (PT), com 24,5%, e João Henrique Catan (Novo), com 20,3%.

O cenário é diferente do que o próprio instituto havia divulgado semanas antes.

🗳️ A pesquisa que a Justiça mandou tirar do ar

A pesquisa anterior do Veritá, registrada sob o nº MS-00490/2026 em 13 de abril de 2026, mostrava resultado distinto: Catan aparecia em segundo lugar, com 24,1% na estimulada e 24,7% na espontânea, enquanto Fábio Trad ficava em terceiro, com 20,9% e 18,6%, respectivamente. Riedel liderava os dois cenários. O levantamento também apontava Trad como líder isolado de rejeição, com 53,3%.

A pesquisa foi impugnada pelo Órgão de Direção Estadual do Progressistas — PP/MS, partido do próprio Riedel. Em decisão proferida em 22 de abril de 2026, o juiz Vitor Luis de Oliveira Guibo, do TRE-MS, deferiu tutela de urgência e determinou a suspensão imediata da divulgação, com multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.

Pesquisa Veritá impugnada — Catan em 2º lugar, Trad em 3º
Pesquisa MS-00490/2026 — suspensa pelo TRE-MS. Catan aparecia em 2º e Trad em 3º (espontânea)

📄 Documento com data do futuro e sem CNPJ

Na decisão (Representação nº 0600079-77.2026.6.12.0000), o magistrado identificou inconsistências graves no Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) apresentado pelo instituto: o documento trazia data de emissão futura — 12 de maio de 2026 — e não continha o CNPJ da empresa no cabeçalho. A própria contadora do instituto declarou que não elaborou o DRE a partir dos livros contábeis da empresa. Também foram apontadas ausência de itens obrigatórios previstos no artigo 187 da Lei nº 6.404/76, não discriminação das despesas operacionais e ausência de prova de registro formal junto à Receita Federal.

Para o TRE, as irregularidades “impedem a aferição imediata da capacidade econômico-operacional da empresa para custear, com recursos próprios, a pesquisa realizada”, orçada em R$ 93.940,00. “A exigência não configura formalismo excessivo, pois visa assegurar transparência e confiabilidade das pesquisas eleitorais divulgadas ao eleitorado”, registrou o juiz.

📊 Amostra incompatível com o IBGE e margem de erro questionável

Além dos problemas financeiros, o TRE apontou inconsistências metodológicas: o plano amostral apresentava divergências em relação às quotas de escolaridade e à condição na força de trabalho segundo a PNAD Contínua Anual do IBGE 2025. O tribunal também identificou contradição entre o universo declarado no registro — o eleitorado — e o filtro aplicado no questionário, que admitia tanto moradores quanto eleitores como público pesquisado. A margem de erro declarada, de 3 pontos percentuais, também foi considerada subestimada pelo TRE.

📱 Suspensão ignorada: instituto publicou mesmo assim

O instituto foi notificado a retirar o conteúdo de todas as plataformas sob seu controle e comunicar a suspensão a todos que receberam os dados. Apesar disso, segundo apuração do JD1 News, o Veritá chegou a publicar os resultados no Instagram mesmo após a decisão judicial estar em vigor.

📈 A nova pesquisa: Trad em 2º, Catan em 3º

Nova pesquisa Veritá — Riedel 49,5%, Trad 24,5%, Catan 20,3%
Nova pesquisa do Instituto Veritá (MS-03077/2026): Riedel lidera com 49,5%, seguido de Trad (24,5%) e Catan (20,3%) nos votos válidos

🔄 O que muda com a nova pesquisa

Com a divulgação do novo levantamento — cujos dados de campo são anteriores à sondagem suspensa —, o quadro que o instituto agora apresenta ao eleitor sul-mato-grossense coloca Fábio Trad na vice-liderança, invertendo a ordem em relação ao resultado que foi censurado pela Justiça. Catan, que aparecia em segundo na pesquisa impugnada, recua para a terceira posição.

O caso segue em tramitação no TRE-MS, onde a Procuradoria Regional Eleitoral ainda deve emitir parecer sobre o mérito da representação.