O GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e o GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção), ambos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, deflagraram a Operação “Buraco Sem Fim” e prenderam sete pessoas, entre elas o ex-secretário municipal de Obras de Campo Grande, Rudi Fioresi — que também ocupava a presidência da Agesul, a agência estadual responsável pela manutenção de rodovias em MS.
💰 R$ 429 mil em espécie e R$ 113 milhões em contratos suspeitos
Durante o cumprimento de 7 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão, os investigadores encontraram R$ 429 mil em dinheiro vivo distribuídos em duas residências: R$ 186 mil em uma e R$ 233 mil em outra. Mas o valor que choca está nos contratos: entre 2018 e 2025, a empresa investigada recebeu da Prefeitura de Campo Grande R$ 113,7 milhões em contratos e aditivos para serviços de tapa-buraco.
🕳️ O esquema: medições falsas em buracos que nunca foram tapados
Segundo o Ministério Público, a organização criminosa atuava por meio da manipulação sistemática de medições — ou seja, registrava serviços que não foram executados ou que foram feitos de forma precária. O resultado prático é visível nas ruas da capital: buracos que voltam em semanas, vias em estado calamitoso e recursos públicos desviados enquanto Campo Grande acumula reclamações sobre a qualidade do asfalto.
Além de Fioresi, foram presos o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, coordenador do serviço de tapa-buracos, e o engenheiro Mehdi Talayeh, chefe na Secretaria de Obras. Outros quatro presos não tiveram os nomes divulgados.
🏛️ Do tapa-buraco à Agesul
O fato de o ex-secretário municipal ter assumido a presidência da Agesul — a agência que cuida das estradas estaduais — enquanto estava sob investigação acende um alerta grave sobre os mecanismos de controle do governo. O governo de MS anunciou que vai exonerar Fioresi após a prisão. A Sisep, a secretaria municipal alvo da operação, está sem comando fixo há 42 dias, segundo informações do Correio do Estado.
A operação ainda está em andamento. O MPE e a investigação continuam para identificar outros possíveis envolvidos na rede de desvios.