• @papelregional
  • redacao@papelregional.com.br
  • Mato Grosso do Sul, Brasil

Operação Gutenberg: médica paga fiança e deixa prisão; Rose Modesto e deputados são citados em fraude de R$ 27 milhões da saúde

Uma das maiores operações anticorrupção deflagradas recentemente em Mato Grosso do Sul segue repercutindo nas esferas política e jurídica do estado. A Operação Gutenberg, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) a partir do dia 7 de julho, investiga um esquema de fraudes em contratos públicos que teria movimentado mais de R$ 27 milhões.

O esquema

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o mecanismo envolvia o uso da estrutura de regulação estadual de saúde — responsável pelo encaminhamento de pacientes para leitos e procedimentos via SUS — como instrumento de pressão sobre prefeituras. Em troca de favorecimentos no acesso a vagas de saúde, municípios seriam induzidos a firmar contratos com a Editora Avante para compra de livros paradidáticos. Ao todo, 29 municípios sul-mato-grossenses são citados na investigação.

Os principais alvos da operação são Ed Carlo, ex-coordenador de Regulação em Saúde do Estado, e Gabriel Taquino, advogado que se apresentava como representante comercial da editora.

Médica sai da prisão com tornozeleira

A médica Olívia Paroschi Jafar passou 11 dias presa desde a deflagração da operação. No último sábado (18), ela se tornou a quarta investigada a deixar o sistema prisional, após a Justiça autorizar sua liberação mediante o pagamento de fiança de R$ 20 mil. Ela cumpre medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica. O juiz responsável descartou, por ora, o enquadramento da médica como liderança do esquema.

Políticos citados — mas não investigados

A operação gerou repercussão política ao revelar que nomes de peso da cena estadual aparecem em conversas interceptadas pelos investigadores. São citados:

  • Rose Modesto (ex-deputada federal, ex-candidata à Prefeitura de Campo Grande): aparece em conversa de WhatsApp analisada pelo Gaeco, onde teria fornecido ao investigado Felipe Paroschi Jafar o contato de uma terceira pessoa para tratar de orçamentos da Editora Avante. O relatório não imputa crime à ex-parlamentar.
  • José Carlos Barbosa (vice-governador)
  • Dagoberto Nogueira (deputado federal, PP)
  • Jamilson Name (deputado estadual, PP)
  • Paulo Corrêa (deputado estadual, PL)
  • Lídio Lopes (deputado estadual, Avante)
  • Mara Caseiro (deputada estadual, PL)
  • Herculano Borges (ex-deputado estadual)
  • Sérgio de Paula (conselheiro do TCE-MS)

O procurador-geral de Justiça do estado, Romão Ávila Milhan Júnior, foi enfático ao esclarecer que as menções não equivalem a investigação. Segundo ele, as evidências colhidas até o momento não apresentam elementos suficientes para abertura de procedimento em relação às autoridades citadas.

O que vem por aí

A investigação segue em andamento. A Justiça manteve a prisão de outros investigados enquanto analisa pedidos de soltura. O caso deve ser um dos mais acompanhados da política sul-mato-grossense nos próximos meses, especialmente com a proximidade das eleições de outubro.

Fontes: G7 Mídia, G1 MS, Top Mídia News, Correio do Estado, O Jacaré, Jornal 24 Horas