• @papelregional
  • redacao@papelregional.com.br
  • Mato Grosso do Sul, Brasil

Florista é ferida durante ação da PM em CG e corre risco de perder a visão

A florista ambulante Neide Fátima de Oliveira, de 63 anos, ficou gravemente ferida durante uma ação da Polícia Militar no Jardim Leblon, em Campo Grande, na madrugada de domingo (18), e corre o risco de perder a visão de um dos olhos. Segundo a família, ela foi atingida por estilhaços de uma bomba de efeito moral enquanto trabalhava vendendo flores nas proximidades de uma tabacaria.

Conhecida por circular durante a madrugada pela região central da Capital, especialmente na Rua 14 de Julho, Neide oferecia rosas a clientes quando a ação policial teve início, entre 1h10 e 1h15. De acordo com a filha, Poliana Roberta, a mãe não participava da aglomeração que motivou a presença da PM no local.

“Ela anda essa cidade inteira vendendo flores. Todo mundo em Campo Grande conhece minha mãe da madrugada. Naquele dia, ela estava trabalhando, não estava em festa”, afirmou.

Relato da família

Ainda segundo Poliana, a movimentação policial foi repentina. A florista teria atravessado a rua para buscar troco com o filho e, ao retornar, foi atingida no rosto.

“Ela virou e já jogaram o gás. Os estilhaços foram direto no rosto dela. Começou a sangrar muito, não parava”, relatou.

A família informou que Neide foi socorrida e levada por uma viatura da própria Polícia Militar até a UPA Leblon, onde permanece internada. Ela não consegue abrir o olho ferido, sente dores constantes e aguarda avaliação cirúrgica, prevista para ocorrer apenas na quinta-feira. O receio é de perda definitiva da visão.

“Ela corre o risco de não enxergar mais. É uma espera muito angustiante”, disse a filha.

O episódio também trouxe impacto financeiro e emocional para a família. Poliana contou que estava desempregada e havia passado a trabalhar junto com a mãe, com quem morava.

“Estávamos nós três, eu, minha mãe e meu filho, trabalhando juntos. Ver ela nessa situação agora é desesperador”, afirmou.

Versão da Polícia Militar

Em nota, a Polícia Militar informou que foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do sossego em um estabelecimento no Jardim Leblon. Segundo a corporação, havia grande aglomeração de pessoas, som em volume elevado e motociclistas realizando manobras perigosas.

Ainda conforme o registro, com a chegada das equipes houve animosidade e arremesso de garrafas contra os policiais, o que motivou o uso de granadas de efeito moral para dispersão do público. A PM relatou que Neide procurou os policiais pedindo apoio e informou não ter identificado o que causou o ferimento.

De acordo com o relato de uma pessoa identificada no local, registrado pela equipe policial, a lesão teria sido provocada por uma garrafa de vidro arremessada durante a dispersão. A corporação confirmou que prestou apoio no deslocamento da florista até a unidade de saúde.

Apuração do caso

A família informou que pretende registrar boletim de ocorrência para que o caso seja investigado. O objetivo é esclarecer as circunstâncias do ferimento e eventual responsabilidade pelo ocorrido.

Neide segue internada, aguardando avaliação especializada, enquanto familiares aguardam a evolução do quadro clínico e os desdobramentos da apuração oficial.